Time QUT

 

Elas não pareciam mãe e filha. A mulher alta, magra com uma mecha do seu cabelo sobre as suas bochehas rosadas, com rosto redondo igual de uma menina.

“A partir de hoje,” disse ela, “você tem outro nome.”

Danica parou pegando um punhado de areia nas mãos e olhou para sua mãe.

“É um lindo nome,” sua mãe sorriu. “Dreamstar”

“Dreamstar,” Danica repetiu suavemente. “Todo mundo tem um nome especial?” Ela olhou a sua volta. A praia estava deserta esta hora da manhã.

“Não. Somente aqueles com poderes especiais. Você precisa saber isso. Você é uma das especiais.”

A mãe tirou uma longa varinha prata de sua bolsa. “Isso era da sua avó mas vai pertencer a você agora. Ela deu uma olhada ao seu redor rapidamente. “Preste atenção.”

Ela desenhou um círculo no ar e um punhado de areia rodou-se para encontrá-lo.

“Só areia,” riu a mãe. Então ela ficou com uma expressão séria e apontou a varinha em direção a sua filha. “Você realmente perdeu seu trabalho de escola?”

Danica sentiu sua boca ficar seca. “Não,” ela sussurrou. “Desculpa.” Como sua mãe sabia disso?

“Essa é sua varinha. Seu poder é procurar e descobrir a verdade. Mas você nunca pode usá-la para o mal ou ela perderá seu poder.”

Quando sua mãe morreu, Danica recebeu uma encomenda do procurador. O broche que sua mãe sempre usava estava dentro de uma caixinha. E um pequeno cartão com a letra de sua mãe dizendo “Quando você tiver uma filha, chame-a de ‘Toila’, navegadora de redes.”

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“Wasi! Wasi!” Ela podia escutar os chamados mas ela não conseguia gritar em resposta. Ela não conseguia se mexer. Ela sentiu uma dor terrível nas suas pernas e braços. Ela olhou freneticamente para as flores. Uma abelha gigante surgiu do meio das orquídeas roxas e a picou. Seu coração estava acelerado. Talvez ela estivesse escondida agora, se preparando para picar novamente.

“Wasi!” As vozes estavam mais distantes agora. O enorme ferrão ainda estava preso no seu braço. Ela tentou levantar sua mão para retirá-lo. A dor era tanto que ela desmaiou por alguns minutos.

Os zumbidos das abelhas fez com que ela acordasse e sua garganta se fechou de medo. Mas as abelhas estavam voando ao redor do ferrão e uma névoa dourada surgiu das abelhas. O ferrão saiu do seu braço e a dor desapareceu. De repente ela se sentiu cheia de energia novamente e conseguiu se levantar.

“Wasi!” Sua mãe estava a sua frente. “Aonde você estava? O que aconteceu com o seu rosto?”

Wasi estava tão feliz que ela não conseguia nem falar. Ela tocou seu rosto. Seu nariz parecia diferente, mais fino e longo do que seu normal nariz arrebitado que seu irmão sempre usavam como motivo de piada.

“Acho que uma abelha me picou,” disse ela.

“Tadinha da minha Wasi,” sua mãe riu. “Você parece estar bem. Venha me ajudar com o almoço.”

Wasi tocou seu nariz novamente e olhou para sua mãe. Pela primeira vez ela percebeu como ela era bonita.

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O laboratório finalmente estava em silêncio. Jenny olhou ao redor aliviada e voltou para o seu computador. Todo mundo tagarelava sobre suas escolhas inteligentes. Assim era fácil se sentir desencorajada. Ela ainda estava em liberdade condicional. Ela precisava mostrava para empresa o que ela podia fazer.

Você consegue, disse a si mesma. Você é tão boa quanto os outros. Ela podia sentir o fluxo tomando conta e parecia que alguns minutos depois ela falou “Pronto!” Com certeza essa correção iria durar. Ela rapidamente encriptou e salvou para que ninguém pudesse levar crédito pelo que ela fez, então fechou o programa. Ela tirou o palito que segurava o seu cabelo pra cima e o soltou, então ela se inclinou e retirou seu pendrive.

Droga! As luzes se apagaram e uma faísca saiu da porta usb. Jenny sentiu sua mão direita formigar, seu braço ficou dormente e ela caiu pra frente.

“Ela parece estar bem.” Algumas luzes piscavam sobre sua cabeça. “Nós vamos fazer mais alguns teste e manter ela aqui até amanhã em observação.” Várias vozes sussurrando e mais luzes acima dela.

Ela parecia estar segurando alguma coisa. Alguém tentou tirar da mão dela, mas ela segurou mais forte. Era seu palito de cabelo favorito.
 
“Incrível, isso nunca aconteceu antes!” a voz de sua mãe conversando com o médico. “Nós costumávamos chamá-la de Faísca. Eu gostaria que ela tivesse escolhido algo mais apropriado para meninas.”

Jenny segurou seu palito de cabelo mais forte. E isso não vai me fazer parar, pensou ela. Essa sou eu. Menina Faísca.

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Ela sempre sentiu alguém a observando. Uma beleza incomum, até para os padões do seu país, surpreendentemente inteligente; uma criança cuidadosa devivo aos seus surtos de alegria.

De onde vieram seus poderes? Ela não tinha idéia. Ninguém nunca falava sobre isso (muito menos ela). Tudo o que ela sabia é que quando ela ganhou o seu primeiro caleidoscópio, ao invés dos padrões intermitentes que todo mundo admirava, ela podia fazer o que ela queria. Ela pensava em uma fazenda e lá estava. Ela pensava em voar para as estrelas e aparecia ela pilotando uma nave.

Por muito tempo, Zia pensava que isso era só um sonho, sua imginação fazendo seus sonhos se tornarem realidade. Mas um dia, sua imaginação foi muito longe e ela quase morreu, presa em um planeta e com seu tanque de oxigênio quase acabando. Ela teve que se concentrar muito para estar de volta a sua casa.

Ela tentou liberar seus poderes em uma menina mais velha que estava sempre a intimidando e rapidamente ela percebeu que não podia usar sua imaginação para machucar outras pessoas. Mas aos poucos ela aprendeu que ela podia proteger as pessoas, removendo o perigo. Todo lugar que ela ia, pequenos milagres aconteciam e ninguém percebia que era ela. Seu avô chamava Zia de “minha pequena bruxinha” mas sua mãe e suas tias eram mais cuidadosas.

Eles assistiram como ela estudou um assunto após o outro, indo de forma constante para as ciências, e, finalmente para computação. Eles estavam preocupado em quando ela receberia uma bolsa para estudar em um país estrangeiro. Eles se preocupavam com a escolha de suas roupas - calças escuras, colete sem manga, milhões de camisetas - e como ela embalava sua estranha coleção de óculos.

E então ela tinha ido embora - para longe dos que a observavam - sendo acessível apenas via Skype, email e algumas visitas.


E agora ela havia encontrado outras meninas (sem meninos por enquanto) que também tinham poderes. Como isso tinha acontecido?

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“Então” disse Wiz, “qual é a emergência dessa vez? E Wasi, o que diabos você está vestindo?”

Wasi sorriu calmamente para Wiz. “Eu ainda estou tentando descobrir como esconder meu nariz.” Ela tocou na máscara dourada e preta com seu longo e brilhante ferrão. “Quando é você vai conseguiu disfarce de verdade?”

Wiz olhou para seu short de couro e botas. Sua mais recente idéia de disface. “É isso,” ela sorriu. “Eu não tenho a imaginação da Menina Faísca.”

A Menina Faísca encolheu os ombros. “Eu gosto de steampunk só isso.” Ela usava uma longa saia verde mostrando por baixo um short e bota de cano alto. Um bolero preto sobre um colete roxo escuro bordado com faíscas douradas completou sua roupa.

Dreamstar interrompeu. “Me desculpa por pedir que vocês viessem aqui. Mas eu estou muito preocupada.” Ela fez uma pausa. “Você sabe que o nosso laboratório tem trabalhado em reparação celular?”

As meninas disseram sim, Dreamstar continuou. “Nós estamos perto de encontrar a cura pro cancêr e provavelmente muitas outras doenças. Mas é claro que todos nós sabemos que se nós ajustarmos o trabalho um pouquinho…”

Wiz interrompeu. “Imortalidade!”

“Exatamente,” Dreamstar concordou. “ Pode demorar um pouco e sairia muito caro mas pode ser feito. Mas se formos nessa direção nós sacrificariamos o nosso trabalho na cura do cancêr. Afinal, nós não temos acesso ilimitado a …”

“De qualquer maneira,” Menina Faísca se intrometeu, “ imagina se as pessoas pudessem viver mais tempo, até mesmo pra sempre! Nós já estamos super povoados.”

Wasi balançou a cabeça. “Você pode apostar que seria muito caro para todo mundo. Acho que é isso que você estava preocupada, não é Dreamstar?”

“Então,” continuou Wiz. “Imortalidade para os ricos ou cura para todos? Com certeza ninguém no laboratório é burro o suficiente …”

“Verana!” Dreamstar interrompeu.

“Ai meu Deus!” exclamou a Menina Faísca. “Eu achei que ela tinha voltado para sua ilha. Então qual é o plano?”

“Sua empresa comprou o laboratório de pesquisa e ela esta ameaçando tirar esse projeto da gente. Nós sabemos o que ela irá fazer. Imagine a Verana vivendo para sempre.” Dreamstar estava com um olhar triste. A única promessa que fez a sua mãe era tentar encontrar a cura para o cancêr. Mas os poderes de persuasão de Verana poderiam sabotar sua missão.

“Eu sei que nós não gostamos de trabalhar juntos,” diss Wasi. “Toda vez que fazemos algo, nós arriscamos perder nossos poderes ou revelar nossa verdadeira identidade. Mas dessa vez é diferente. Eu acho que precisamos arriscar.” Ela olhou para as outras meninas e todas concordaram.

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Dreamstar andava pelo corredor mesmo sem ter nada em mente. Ela parou para conversar com a recepcionista, ajudando suas amigas a sairem sem serem notadas. Quando ela se juntou as outras a Menina Faísca riu. “Nós precisamos parar de nos encontrar assim.” Ela se virou para Wiz. “Por que a sua ‘bruxaria’ não pode levar a gente pra dentro do laboratório?”

Wiz virou os olhos. “Eu já te falei várias vezes. Eu não posso levar ninguém comigo.”

“Mas…” Menina Faísca foi interrompida pela porta do elevador se abrindo.

Dreamstar saiu primeiro. Ela conseguia ver sua equipe através da janela de vidro. Gary a viu e com um gesto violento apontou para uma sala. Ela entrou correndo, alcançando a porta e inserindo seu cartão. A luz piscou vermelho! Dreamstar bateu na porta mas Gary balançou sua cabeça sem esperança.

“Deixa eu tentar!” A Menina Faísca apontou sua varinha para o leitor e a luz verde apareceu.

Elas empurraram a porta. Gary gritou algo, mas ela tarde demais. Dreamstar e Menina Faísca foram pegas por trás e arrastadas para o canto.

Dreamstar estava horrorizada. Gary, Peter e Alison estavam alinhados na mesa. Na entrada da sala ao lado, dois guardas que pareciam mais como dois armários, com duas armas de choque apontada para elas. Verana, como sempre vestida como uma executiva, as observava com uma expressão de satisfação.

“O que diabos você pensa que está fazendo?” gritou Dreamstar. Os guarda que estava a segurando a chacoalhou para ela ficar quieta.


Verana mostrou um papel para ela.

“Ela tem autoridade.” Gary parecia destraído.

Um homem baixinho saiu da sala ao lado e entregou algo para Verana. Ela sorriu de forma mais ampla. “E agora eu tenho todos os dados!”

Dreamstar tentava se soltar de qualquer maneira. “Você não pode fazer isso. Eu vou conseguir de volta.”

“Você conseguirá mesmo, mas até lá eu já tenho o que eu preciso.” Disse Verana.

“Não tão rápido!” Wiz estava parada na porta. Ela cruzou um pé sobre o outro como se tivesse todo o tempo do mundo. “O que nós temos aqui?”

Nenhuma delas tinham visto Wiz em ação antes e todas elas ficavam sem ar quando de repente uma cela cercou Verana e seu grupo.

“Você também,” continuou num tom casual. Dreamstar sentiu o homem soltar suas mãos e então ele caiu pra trás.

“Sua vez, eu acho.” Wiz se afastou e sorriu enquanto Wasi ia em direção a Verana.

Wasi não sorria enquanto se aproximava da cela. Verana se contorcia de raiva. Os três homens estavam escondidos atrás dela, eles estavam morrendo de medo de Wasi.

“Eu não vou te machucar,” disse Wasi com a voz bem calma, “mas nós precisamos transferir os dados para um lugar seguro.”

Ela se inclinou em direção a cela e olhou diretamente para o pendrive na mão de Verana.

Verana escondeu o pendrive. “Por favor Wasi. Você sabe o que eu posso fazer com isso. Pense bem, você pode viver mais tempo, talvez pra sempre, ajudar muitas pessoas.”

“Não é assim que funciona. Nada que você faz dura, Verana. Você já deveria ter aprendido isso.” Wasi conseguiu. “Pronto!”

“Acho que terminamos nosso trabalho?” Wiz olhou para Dreamstar.


“Eu vou destruir vocês!” Verana gritou de repente. “Eles vão descobrir quem são vocês!”

Dreamstar deu um passo para frente. “Talvez seja hora da verdade.” Ela pegou sua varinha e apontou para Verana. “Vamos ver quem você realmente é, Verana. Quem te deu autoridade?”

Verana ficou pálida e se encostou na parede. Com a voz de um robô, ela disse. “Meu nome verdadeiro é Elsa. Eu fiz o mal uso dos meus poderes. Eu consigo persuadir as pessoas normais a fazer qualquer coisa que eu quiser.” Ela parecia assustada. “ Eu não posso ir pra casa.”

Dreamstar abaixou sua varinha.

“Se você fizer algo por mim, nós podemos te ajudar.” A Menina Faísca segurou as barras da cela e encarou Verana.

“O que?” sussurrou Verana.

“Persuadir aqueles três,” Menina Faísca apontou para a equipe de Dreamstar que estavam em choque. “Persuadir todos essas pessoas normais nessa sala para que eles nunca falam o que viram aqui hoje.”

“E você me ajuda a ir pra casa?” A voz de Verana estava mais forte agora.

As quatro meninas confirmaram ao mesmo tempo. “Sim, nós vamos,” Menina Faísca confirmou.

Verana se endireitou. Ela olhou cada pessoa no olho. Sua voz se transformou em uma bela melodia enquanto ela falava, “Quando vocês sairem dessa sala, vocês irão esquecer tudo o que viram aqui hoje. Combinado?”

Todos eles concordaram. Wiz olhou fixamente para cela e a cela desapareceu. Ela se virou e soltou os outros guardas.

“Todo mundo pra fora, agora.”

Verana parecia furiosa enquanto seus capangas saiam da sala. Gary e os outros o seguiram sem nem olharem para trás.

Dreamstar sentiu um alívio. Ela abraçou Wasi enquanto a Menina Faísca e Wiz se olharam e sorriram.

“Então, agora Verana…”

Mas Verana tinha sumido.
“Como assim?” Wiz bateu o pé no chão com raiva.

“Bom” disse Wasi calmamente. “Esse é o poder dela. Persuasão. E funcionou com a gente também.

“Você acha que ela vai falar para alguém sobre a gente?” Disse a Menina Faísca preocupada.

“Eu não acho que ela faria isso.”

Elas olharam para trás. Uma figura esbelta de vermelho saiu de trás de uma pequena mesa. Pequenas luzes brilhavam de sua máscara e do cinto ao redor de sua cintura. “Nós cercamos o prédio. Elsa não vai conseguir escapar dessa vez.” Disse sorrindo. “Jewella é meu nome. Vocês querem conhecer as outras?